Star Wars | Os últimos Jedi – o filme que eu vi – duas vezes

Não satisfeito em ver uma vez, eu assisti duas vezes… e da segunda vez assisti – infelizmente em 3D. Está confirmado! O 3D não agrega em absolutamente nada para um filme que não é feito para esse propósito, só serve para você e eu – trouxas – pagarem mais por uma tela mais escura e pela obliteração dos detalhes de cena que são desfocados forçadamente em cenas 3D… uma bobagem!!!

Feito mais um testemunho contra o filmes em 3D, vamos a obra em sí, não é mesmo?

E chegando como quem já chuta o balde logo de uma vez…. Foi só eu que tive a impressão de ter assistido uma re-edição MIX de “O Império Contra-ataca” e “O Retorno de JEDI”? Hum? Só eu? até os atuais e mais recentes entusiastas da saga poderiam ligar linhas entre as lacunas de semelhanças entre os dois filmes hein!!!Mas enfim…

Como em o Império contra-ataca o filme começa com a evacuação da base recém descoberta em um planeta de uma galaxia muito, muito distânte. A diferença era que desta vez a batalha foi no espaço… Muito boa por sinal, Poe Dameron dando uma de cawboy do espaço enfrentando um fragata sozinho foi divertido, toda a cena de ação da batalha que envolve os bombardeiros e a batalha das x-wings foram ótimas. Atenção pra o detalhe: Por que, sempre, em todo filme de Star Wars… a primeira nave rebelde que aparece explodindo é sempre a do piloto gordinho? Veículo lento? roteiristas gordo fóbicos? Como gordinho fico receoso de vislumbrar a possibilidade de ser um piloto rebelde de caça. Vá se lascar!!! Enfim… Metade das naves foram depois explodidas também, os pilotos do império não sofrem do mesmo mau que assolam os stormtroppers. Contudo… missão cumprida explodiram mais uma enorme fragata imperial.

Corta para ilha de Ahch-To onde Luke está zuando pra longe – por cima dos ombros – o sabre de luz que a Rey trouxe com tanta dificuldade… Era pra rir? pois é, piadinhas nesse tom, recheou o filme foram bem desnecessárias, se ele tivesse apenas largado o sabre no chão passaria a carga dramática que a cena exigia sem precisar forçar uma graça onde não havia… escolha do diretor, paciência! Uma ilha recheada de porgs, os Jar Jar Binks desta geração! Parabéns Disney, tomara que vendam bem como bonequinhos! Porque como função dramática o aproveitamento foi zero – nem pra alívio cômico serviu.

Foi mais ou menos neste momento do filme, quando começa o arco da Rey – que podemos comparar com o arco do Luke em “Império Contra-Ataca” e o “Retorno de JEDI”, dá até para enumerar as coincidências:

Da parte “Império contra-ataca” do arco:

  1. Assim como Luke foi atrás de Yoda, Rey foi atrás de Luke;
  2. Luke foi mandado por Obiwan e Rey guiada por um mapa – que pelo que deu a entender Luke não deixou. Aparentemente era o mapa que o R2-D2 guardava;
  3. Yoda recusa a ensinar Luke, Luke recusa ensinar Rey – os dois mestres já não tinha muita esperança no futuro;
  4. Obiwan convence Yoda a treinar Luke, R2-D2 convence Luke a treinar Rey;
  5. Yoda ensina que a força passa por tudo que há ao redor, enquanto Rey sente toda a vida ao redor da ilha orientada por Luke;
  6. Yoda apresenta a Luke sua caverna interior, Luke apresenta a Rey sua caverna interior – O que há na caverna? Só o que levar consigo.

Neste momento que as trajetórias destoam porque Luke, impulsivo – sai correndo para salvar seus amigos depois de uma visão de futuro. No caso da Rey ela descobre a treta que fez separar Ben solo dele – Luke – neste momento meio que há uma quebra de confiança entre os dois e iludida com seus encontros realizados pelo elo da força, aparentemente causados pelo Snoke – Rey se sente responsável por salvar Kilo Ren do lado negro da força. Logo após isso os arcos se juntam novamente…

Agora a parte Retorno de JEDI do arco dos dois:

  1. Compelido pelo desejo de salvar Darth Vader do lado negro Luke se entrega para confrontá-lo. Compelida pelo desejo de salvar Kilo Ren do lado negro Rey se entrega para confrontá-lo;
  2. Darth Vader leva Luke ao Imperador. Kilo Ren leva Rey ao Líder Snoke;
  3. O Imperador tenta aliciar Luke. Snoke tenta aliciar Rey.
  4. O imperador e o Líder Snoke encontram a resistências dos jovens JEDI;
  5. O imperador atormenta Luke com a armadilha que a armada rebelde sofria. Idêntico, Snoke mostra a Rey a armada rebelde indefesa;
    aqui a ordem é invertida mas as sequencias acontecem…
  6. Luke confronta Darth Vader, Kilo Ren mata Snoke;
  7. Darth Vader mata o Imperador, Kilo Ren confronta Rey;

Caminhos parecidos e aqui se separam… Luke consegue savar a alma de Anakin Skywalker… Rey rejeita o lado Negro e não consegue salvar a alma de Ben Solo…


Esse era o arco da Rey comparado com o arco histórico do Luke, foram caminhos bem semelhantes com finais diferentes.

Além do arco da Rey, temos os arcos dos Rebeldes em fuga que podemos considerar como arco da Léia, o Arco do Finn e Rose que correu paralelo ao arco dos rebeldes e o arco de fechamento do Luke.

Arco da Léia e os rebeldes

O Arco da Léia é o arco principal pelo qual permeia as outras estórias. Basicamente é um filme de fuga e o roteiro tratou bem o personagem da General Léia Organa, a atuação de Carry Fisher neste filme está muito melhor do que no anterior, podemos ver a General em ação e a parte do filme em que a ponte da nave explode e ela volta a bordo usando o poder da força foi espetacular…. Quase levantei da cadeira e gritei Yeeeesss!!! é isso aí Léia!!! é Assim que tem que ser!!! Além disso, as viradas dramáticas do filme evidenciando a estrategista foram igualmente espetaculares. Gostei mesmo! Comandante Holdo jogando a nave contra a armada da Nova Ordem, sensacional.

Arco do Finn e Rose

Arco que correu paralelo ao arco dos rebeldes e que serviu para expandir a ideia de que a galaxia não é feita somente de mocinhos e bandidos… Há também o lado cinza dos dois lados. O mini-arco dos dois em si, para estória principal, foi inútil já que tudo o que fizeram resultaram em nada para o história principal do filme. Serviu, sim, somente para fabricar as pontas soltas que ficaram a respeito da figura de DJ o decodificador feito pelo Benicio Del Toro, além de apresentar o garotinho que usou a força no fim do filme…  e o início de um browmance entre Finn e Rose. Agora se nenhum desses personagens ou situações forem usados no futuro, tudo isso só serviu pra colocar o Finn diante da Phasma…. e se foi só pra isso, aí acho que foi pura perda de tempo.

Arco do Luke

O arco do Luke é um fechamento para os 30 anos de hiato cinematográfico do personagem, apesar de que há alguns dias o ator Mark Hamill declarou que o Luke que ele interpretou em Últimos JEDI não era o mesmo Luke que ele interpretou na trilogia original. Alegando que um JEDI não desistiria nunca, então a condição de um Luke isolado em uma ilha desistindo de tudo seria inconcebível. Acho que muito disso também por um grande oba oba que surgiu na internet criticando a abordagem deste Luke e chegando a rolar abaixo assinado de gente – “que não tem o que fazer da vida” – pedindo pra tirar o filme do canone da estória dos skywalkers!

Ah vá!

Acho é –  que é preciso – que as pessoas entendam que não é porque elas compram uma infinidade de tralhas de Star Wars e saem desfilando de Wookie em qualquer convenção por aí, quer dizer que passam a ser donos da estória. Um filme é igual a uma tela de pintura, você vê e entende da sua maneira. Não é pra ficar metendo o dedão tentando mudar a tela a sua maneira!

Como o próprio Luke diz no filme:
– As coisas não vão acontecer da forma que você imagina…

Achei justíssimo Luke está recolhido duvidando da sua própria capacidade, aconteceu com Yoda quando se recolheu em Dagobah, ele duvidava de si por não conseguir enxergar a ameaça Sith do Imperador, tão pouco conseguiu eliminá-lo em um combate direto. Yoda também não queria treinar Luke quando ele pousou em Dagobah. Durante o treinamento de Rey na ilha a mesma diz que conseguia sentir tudo na ilha menos o Luke, motivo pelo qual ele não reconheceu a força em Rey de imediato. Ele estava fechado para a Força, não permitindo fluir pelo seu corpo. É importante dizer que Luke não tinha o treinamento que Yoda teve e o fato dele ter se tornado mestre e fracassado nisto, teria um impacto muito maior pra ele, justificando esse fechamento, esta reclusão na ilha. Honestíssimo.

Olhando os personagens do Luke e da Rey no filme consigo comparar com personagens de mangás e animes japoneses, o Luke seria aquele personagem que faz uma força danada pra aprender as coisas e consegue se superar a muito custo e treino e Rey aqueles personagens gênios que já nascem sabendo e percebem as coisas com mais facilidade.

Isso meio que justifica a aparição de Yoda como fantasminha na ilha, aparecendo mais uma vez pra abrir os olhos de Luke. Naquele momento Yoda expõe as falhas do personagem, suas dúvidas e suas fraquezas e medos, ao mesmo tempo mostrando o tamanho da força que Luke Skywalker teve para superar os enormes desafios que enfrentou e venceu. E finalmente a frase que me pegou no filme, quando Yoda diz a Luke:

Transmita o que aprendeu. Força, mestria. Mas fraqueza, insensatez, fracasso também. Sim, fracasso acima de tudo. O maior professor, o fracasso é. Luke, nos tornamos o que eles acham que somos. Esse é o verdadeiro fardo de todos os mestres.

E para terminar o arco em grande maestria, Luke se projeta pela Força e confronta Kilo Ren. SEN – SA – CI – O – NAL  essa cena, aquele monte de AT-AT disparando contra ele… e ele aparecendo batendo a poeira do ombro – taí o que você queria – um Luke Skywalker superpoderoso. Não pelo fato de ter segurado laser de uma coluna de artilharia, não por ter dado um baile de luta com sabres em Kilo Ren… mas por ter se projetado através da galaxia em outro planeta e fazer o vilão ter acreditado que ele podia fazer isso em carne e osso. “Como disse Yoda: Luke nos tornamos o que eles acham que somos”… Vilão ludibriado…  Missão cumprida, Luke se une a força no melhor estilo JEDI… “Feshow!”

de uma maneira geral eu gostei muito do filme…

Acho que ele é feito para que nos apaixonemos, tanto pelos personagens, quanto pela ação e pelo visual fantástico de todo universo que envolve a saga. Quanto a isso o filme cumpre seu papel… é superdivertido, envolvente e curioso.

Eu gosto do fantástico, do lúdico, do espetacular…. mas gosto muito mais de uma estória bem contada – Últimos JEDI não é perfeito no sentido de montagem e roteiro, longe disto, temos piadinhas fora de tempo, bichinhos que só existem pra vender brinquedo e algumas arapucas de roteiro que não contribuem para estória principal… mas cumpre sua tarefa de entreter e divertir muito bem!

Ponto pra pipoca… e este foi o filme que eu vi, se não foi o filme que você viu – tudo bem – nossas experiências são diferentes e cada um tem a leitura da forma que lhe atende !!!

Facebook