Sobre O Punho de Ferro

Olha, vou ser sincero, nunca tinha visto nada sobre o Punho de Ferro antes. Sejamos sinceros, cá entre nós! Tem que ser muito aficcionado pela Marvel pra ler estórias do terceiro ou quarto escalão de heróis da editora. Tem dó, revista custa dinheiro e você vai querer ler uma boa estória do Homem Aranha, do X-men e olhe lá. Mas, a Netflix produziu, eu já pagava, tá ali pra ver… Já vi Demolidor, Jessica Jones ( mentira não vi tudo não aguentei aquela serie arrastada ), vi Luke Cage, Vi a segunda temporada de Demolidor… vambora!

Como a série começou já com Danny Rand “chutando a porta” da Rand, a primeira coisa que imaginei foi que os capítulos seriam repletos de flashbacks do seu treinamento em K’un-Lun. E quando ele tem a sua primeira “dor de cabeça” com efeitos especiais e algum detalhe do seu passado é mostrado, falei… – Rah!! Num falei!

Mas não foi tão explorado assim – até foi bom – a temporada inteira foi contada para resolver o arco que responde a pergunta

“Quem é Danny Rand?”.

Não uma pergunta retórica a respeito da sua verdadeira missão na Terra, mas sim algo muito mais trivial feito por qualquer espectador da série… quem é esse personagem?

Afinal, na medida que os capítulos iam passando, vez ou outra, tanto eu quanto você leitor ia googleando os nomes dos personagem pra ver se a figura era vilão ou mocinho – vai dizer que você não colocou “Bakuto” + “punho de ferro” pra descobrir qual era a daquele cara!?

Wikipedia!!! Até ali a estória é pouca, provavelmente saberá mais assistindo a serie do que procurando na WEB. Mas tudo bem, eu assisti a série, você provavelmente também assistiu ou não correria o risco de tomar spoiler – se é que vale a pena se preocupar com spoiler dessa série! Então vamos discutir… A área de comentários taí pra isso.

Pra começar, li na wikipedia que os quadrinhos do Punho de Ferro e Mestre do Kung Fu, também da Marvel, foram criados para aproveitar a onda de séries de Kung Fu que apareceram e explodiram na década de 70. Acontece que sou de 1975 – e me lembro sim dessas séries passando na TV, no início da década de 80, quando eu tinha de 5 a 6 anos lembro de seriados como Kung Fu – seriado estrelado por David Carradine. Seriado esse que que foi escrito e seria estrelado por Bruce Lee, se não fosse – na época – um absurdo colocar um asiático como ator principal de uma série. Além desse, outro que eu adorava era a série de filmes que a TV Globo passava em sua sessão “Faixa Preta” por volta de 1983. Os filmes misturavam Monges Shaolin, bandidos ocidentais, pseudoninjas lutando Kung Fu e caras correndo de kimono e lutando com suas faixas pretas amarradas na cintura. Muita gente bebeu dessa fonte. Quentin Tarantinho bebeu dessa fonte, é fan declarado do gênero. A Marvel também bebeu, criando o personagem Punho de Ferro em 1974. E depois de listar todas essas referências o mais incrível foi perceber que a série atual também bebeu dessa fonte, quando vemos a forma que as lutas são apresentadas e coreografadas. Pra quem está acostumado com o estilo cinematográfico genérico ou as brincadeiras de Jackie Chan, poderá notar um estilo diferente apresentado na série. Sim, senti um “quê” de nostalgia quando as lutas estavam acontecendo e isso sem saber que o personagem foi criado com base naqueles filmes da década de 70.

Por esta nostalgia a série já me fisgou o interesse. O legal é perceber a diferença no estilo de luta que foi apresentado em Demolidor,  Matt Mordoch tem um estilo de luta mais duro abrupto e o do Punho de Ferro mais leve e fluido. Seria quase como a distinção entre Kung Fu do norte e Kung Fu do sul na China. Só que não vou entrar nesse mérito, até porque não sou especialista, mas gosto de reparar nesses detalhes.  Contudo, tem que ser melhor que isso pra me levar até o último capítulo.

Punho de Ferro começa apresentando o personagem quase inocente como se Danny ainda fosse aquela criança que havia caído de avião anos atrás. Logo no começo ele encontra seu futuro interesse amoroso e somos apresentados a mais um personagem – Colleen Wing, mais um daqueles personagens que você tem que mandar um google pra saber quem é, mas!!! Como ela usa artes marciais e tem uma katana, já se torna automaticamente legal! ;-P

Dá pra descobrir, por esta aparição, a ligação entre as séries e como Nova York é um ovo e todo mundo se conhece. Colleen, nos quadrinhos, é amiga e futura parceira da detetive Misty knight que apareceu em 13 dos 15 episódios de Luke Cage.

Na estória original o pai de Danny,  Wendell Rand e seu Sócio Harold Meachum saem a procura da cidade mítica de K’un-lun. Nesta expedição os pais de Danny morrem e Harold assume o controle da empresa.

Caso você leitor, já tenha zerado a série – é fácil comparar que a motivação de Danny – vingar a morte de seus pais – e o inimigo alvo ( Harold Meachum ) são os mesmos dos quadrinhos. Estes não destoam e são o arco de estória de Danny Rand.

O arco maior – lutar contra o tentáculo – é colocado na estória para amarrar o Punho de Ferro ao grupo dos Defensores, que virá em seguida. E como liga pra essa sopa de heróis que teremos em Defensores, temos vários personagens aqui que apareceram nas outras séries.

Por exemplo!

O que acontece quando o herói se machuca gravemente e não pode ir para um hospital comum?
Chama a Enfermeira Noturna!

Claire Temple que costura o Demolidor várias vezes em sua primeira temporada, ajuda Luke Cage a identificar o segredo da sua pele impenetrável e se vê em meio a uma guerra ninja entre o tentáculo e o Demolidor em sua segunda temporada, aparece como aluna de Colleen e ajuda o Punho de Ferro ao longo de alguns capítulos da série. Particularmente em Punho de Ferro ela age como a consciência de Danny, a entender sua impulsividade e suas explosões de raiva e descontrole, frutos do modo como foi treinado e da necessidade de cumprir o seu destinho – ser uma arma viva. Muito da transformação e amadurecimento de Danny em seu caminho do herói passa por Claire.

Além dos personagens que ligam os heróis, temos o grande inimigo em comum – o Tentáculo – e apresenta Bakuto como um líder inimigo relacionado ao arco maior e a Madame Gao a personagem misteriosa que vai resistindo e se revelando para o arco que deverá ser resolvido na série dos Defensores.

Como vêem, não é o caso de dizer se a série é boa ou não, o roteiro está bem fechado, bem amarrado as outras séries, o personagem principal traça o ciclo da jornada do herói corretamente. Não é um herói pronto, muitos ciclos serão percorridos pra sua evolução, a estória não se perde e as pontas soltas “prometem ser desenvolvidas” – afinal a série tem que instigar a especulação também 🙂

De uma maneira geral é uma boa série, gostei de ser apresentado ao Punho de Ferro por ela.

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