[Opinião Quântica] Camelot 3000

Geralmente, quando as pessoas citam a revolução que os quadrinhos passaram nos anos 80 a “trindade” citada geralmente é: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller (1986), Watchmen de Alan Moore (1986~1987) e Maus de Art Spielgman (1980~1991). Todos estes, ao seu jeito, mudaram profundamente a forma com que os quadrinhos passaram a ser vistos desde então.

A principal semelhança entre eles? Eles mostraram que as histórias poderiam ser voltadas para um público adulto, e não tinha nada de errado nisso. Estes três títulos foram tão aclamados, que vários outros quadrinhos da mesma época acabaram ofuscados, e muita gente sequer ouviu falar deles.

A resenha desta vez é sobre Camelot 3000, um quadrinho lançado em 1982 (sim, antes das obras de Miller, Moore e do auge criativo de Spielgman) e que já dava indícios dos caminhos que a indústria tomaria nos anos seguintes.

Entre os feitos que Camelot 3000 criou e que permanecem até hoje, podemos citar que ela foi a primeira “maxi-série” lançada. Ou seja, era uma história única com mais de 6 edições, algo que foi replicado mais tarde, veja só, no Cavaleiro das Trevas e em Watchmen.

Além disso, ela foi o primeiro quadrinho a ser lançado no “mercado direto”, algo similar à venda nas livrarias e em lojas especializadas no Brasil nos dias de hoje.

Embora hoje comum, naquela época, ver um quadrinho lado a lado com grandes clássicos da literatura mundial causou “uma pequena baguncinha” entre os leitores na época. O modelo de vendas em livrarias, a cada dia que passa, mostra ser um dos poucos nichos que irão sobreviver com as recentes crises do mercado editorial.

E eu sei, eu sei, já estou no meu sétimo parágrafo e até o momento ainda nem falei sobre o quadrinho em si né? Pois é, este é daqueles casos em que sua importância histórica, o contexto do lançamento e tudo que ele inspirou depois é muito mais forte que a história em si, mas vamos lá:

Escrita por Mike W. Barr e ilustrada pelo hoje lendário Brian Bolland, Camelot 3000 continua a jornada do Rei Arthur, que eras depois de seu último combate, voltaria a vida quando a Inglaterra mais precisasse dele.

Eis que no ano 3000 a Inglaterra está sob ataque alienígena, o que parece um momento propício para o seu triunfante retorno e a história se desenrola a partir daí. Diversos personagens clássicos como os Cavaleiros da Távola Redonda e o Mago Merlin aparecem na história, que está recheada de referências históricas e discussões que são interessantes ainda nos dias de hoje.

Óbviamente, reler um material que está caminhando para os seus 40 anos (sério, já pararam pra pensar nisso?) requer um cuidado especial, por mais a frente do seu tempo que Camelot 3000 esteja, o quadrinho ainda contém alguns vícios da época, como alguns diálogos inocentes e situações com soluções rápidas e simples demais. Coisas que o próprio Mike Barr disse que pensou em alterar durante seu prefácio para a versão de luxo da publicação, mas que se fizesse isso, muito da obra se perderia (ouviu isso senhor George Lucas?).

Este é daqueles quadrinhos que merecem atenção, se você gosta de histórias do gênero, ou quer saber de onde surgiu o que viria a se tornar o selo Vertigo, Camelot 3000 é uma leitura obrigatória.

Facebook