O Filme do Homem Formiga que eu vi !

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É bom mudar um pouco a perspectiva a começar a enxergar as coisas de um outro ponto de vista. Normalmente, como fan de revista em quadrinhos quando temos a oportunidade de ver uma história de que gostamos traduzida para a linguagem do cinema há aquela empolgação e então começa-se todo aquele ritual da criação de expectativa, acompanhamento de inevitáveis spoilers, espera pela estreia, fila para o melhor lugar na estreia, onde provavelmente estarão fans que curtem a mesma coisa que você e que provavelmente terão orgasmos múltiplos subentrantes quando virem o Stan Lee fazendo sua ponta no filme. Daí a empolgação pós saída do cinema vai baixando e as opiniões começam a variar de um comentário blazé feito por um pseudo-entendido – “É, eu faria melhor!”, passando por Haters – “Isso ficou uma merda!”, fazendo a curva na grande massa que aguarda a opinião dos “opinadores” – se me permitem o neologismo – por fim, terminando com os esfuziantes entusiastas que acharam o máximo do máximo, muito provavelmente por que nunca leram uma linha do título nos quadrinhos, mas como virou um poser / geek / nerd / Popcult boy tem que manter a posição.

Mas afinal o que essa introdução toda tem haver com Homem-Formiga?

Ontem fui assistir ao filme em uma das condições mais improváveis para um grande entusiasta tanto dos quadrinhos quanto do cinema. A sala de cinema era um ovo, compraram ingresso um pouco mais de um dúzia de gatos pingados, uns quatro ou cinco casais, um com um bebê de colo – que obviamente chorou durante a sessão – é claro que os pequenos ouvidos de um recém nascido não estão preparados pra a “acústica explosiva” de um filme de ação – algumas crianças de 9 a 10 anos de idade falando o tempo todo claro, adolescentes e uma mulher na fileira da frente que a cada cinco minutos ascendia a tela do celular pra conferir se havia chegado algum SMS, sim leu corretamente “SMS” ainda tem gente que se comunica dessa forma… Depois de reconhecer o cenário em que me encontrava resolvi acompanhar além do filme a reação da plateia que obviamente não ficou para as primeiras cenas pós créditos do filme e muito menos para a segunda cena pós todos os créditos – aquela que aparece somente depois daquele logo com o globo e o número de registro da obra. Afinal era um filme da Marvel!

Sob a perspectiva de um espectador pontual o filme é o que me pareceu como um espectador que acompanha com uma certa distância o cânone geral da Marvel nos quadrinhos. É um bom divertimento, honesto na explicação de como um cara se transforma em um Homem-Formiga sem precisar explicar demais o que seria a tal partícula Pin. O humor característico dos filmes Marvel está ali divertindo tanto quem acompanha os quadrinhos, quanto quem está ali vendo o personagem pela primeira vez. Fato confirmado pelas reações da plateia que me divertiu tanto quanto o filme. Provavelmente se eu fosse o diretor do filme estaria realizado com a resposta de uma sala improvável como aquela.

Relativo ao cânone estabelecido no cinema, pela Marvel, não vi muitas pontas soltas. Eles integraram o Homem-Formiga ao universo, estabeleceram um vínculo histórico do personagem com o começo da cronologia estabelecida no cinema – na segunda guerra, passando pela guerra fria – colocaram o personagem no contexto atual e nivelaram o status dele a de um vingador no momento em que ele tem um embate direto com um deles. Por fim, deixaram a porta aberta para introdução do mesmo em futuros filmes da franquia.

Cumprida essa tarefa e adicionados fans services como easter eggs e citações, o que resta é diversão… é o sorriso solto da moça da fileira de trás ou os comentários entusiasmados da molecada nas fileiras lá da frente.

Então a dica é ! Não se preocupe com a nota ou julgamento do filme, vá assistir e divirta-se!

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