3 de dezembro de 2020

Banana Quântica

Blog fanzine de entretenimento

O Coringa – o filme que eu vi

3 min read

Hype lá no alto, todo mundo elogiando o filme, cotado ao Oscar, mais de 1 bilhão em bilheteria no mundo todo… e eu como um bom fã de Batman, deixei para assistir somente nas ultimas semanas de exibição.

A verdade é que sempre achei que o filme não ia ser tudo isso que as pessoas pintam. Um ator temperamental adepto do método de atuação…

Surgido nos palcos norte-americanos nas décadas de 1930/ 1940, a partir dos estudos de Constantin Stanislavski, O Metodo – que consiste, a grosso modo, na técnica segundo a qual o ator deve procurar reproduzir em si mesmo os sentimentos e emoções de seus personagens.

Pois é, frescura, ator bom entra e sai do personagem quando quer. Enfim, uma bela palheta de cores, várias referencias de cenas e enquadramento… não achei que ai ser grande coisa…

Mas aí assisti ao filme e depois de mais de uma hora e meia de filme…. Sim!!! Era sim uma grande chatice de uma enrolação infinita. Entre um bocejo e outro vimos Arthur Flerk o “coitadinho”, sofrer bulling, descobrir que era adotado, que possivelmente seria filho de uma grande personalidade da cidade, ser passado pra trás por um colega de trabalho, ser despedido por portar uma arma num hospital infantil, ficar sem os remédios psicotrópicos fornecidos pelo SUS de Gotham, ser atacado por idiotas num trem e por fim o gatilho e a morte dos atacantes por auto defesa… Uma hora e meia de filme querendo justificar os motivos da existência do coringa passando por motivos que bilhões de pessoas passam todos os dias… Argumento fraquíssimo e o pior é que foi comprado pela maioria das pessoas.

A verdade é que a ultima meia hora de filme é o único material que vale a pena reconhecer no próprio coringa, o psicopata se solta no momento em que mata a própria mãe que mentira pra ele ao mesmo tempo que patologicamente sofria a beira da loucura. Logo depois desconta sua frustração no colega de trabalho que o enganara lhe oferecendo uma arma e depois negando.

Reconheço nesses dois movimentos o verdadeiro gatilho que faz surgir o Coringa. Nos quadrinhos o Coringa é um elemento de caos contra a hipocrisia da sociedade. E este Caos é iniciado quando ele dá um tiro a queima roupa no apresentador do programa vivido por Robert DeNiro, ao vivo pela TV. Ali eu reconheci o Coringa.

Contudo a meia hora inicial do filme não tem nem de longe o impacto de um garoto vendo seus pais sendo assassinados a queima roupa em meio ao caos que tomava a cidade… nada na origem do coringa do filme é mais forte que aquela cena…

O filme é bom…. Só não precisava daquela enrolação toda do começo… a vingança do coitadinho não é motivo suficiente pra você virar um super vilão!!!

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