CRÔNICA DA VIDA URBANA | Apendagite Epiplóica: um nó nas tripas!

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Esta semana aprendi uma nova as custas de muita dor. Apendagite Epiplóica, isso mesmo, não é grego não.
Trata-se de uma inflamação na região do abdome, mais especificamente na parte que recobre o intestino.

O pior de tudo é correr pro hospital achando que você está com uma crise renal, por conta disso já fui me adiantando e tomando logo um analgésico e um anti-inflamatório. Gato escaldado tem medo de aguá fria. Neste momento começa a grande novela do atendimento em saúde no Brasil e nem adianta ser pago não!!! Cheguei no hospital 13:40 aproximadamente, com dor! Pega senha, hum tela touch screen! moderno, será que é rápido? aguarda ser chamado, chamam, aguarda entrarem em contato com seu plano de saúde … enquanto isso sentindo dor … o plano autoriza, assina um monte de papel – que não são lidos obviamente, pois estou com uma dor absurda –  volta pra sala de espera e … e s p e e e e r a … ser chamado. O médico chama, um sujeito com cara de quem ainda assistia Power Rangers de tão novo, em 2 minutos eu descrevendo os sintomas, mais 3 minutos de exame e mais 10 minutos dele teclando, teclando, teclando. Eis que recebo uma cacetada de exames para fazer, colhe urina, tira sangue… o começo foi rápido, parecia promissor, foi quando o atendente me diz:

– É duas horas para sair o resultado do sangue e urina viu, senhor?!?

Paciência, já eram umas 15 horas, vou fazer os outros exames e quando terminar passo aqui e pego. Vamos para os exames de imagem, entra em outra recepção, fico teclando na tela para tirar a senha e nada. Continuei dando umas dedadas na tela e nada, foi quando percebi um botão preto ao lado da tela. Pensei, putz! Se a recepção do que tinha touch screen demorou um tempão imagino esta. Paciência vamos lá! olho em volta e 80% das pessoas tem mais de 65 anos, todos preferenciais – imaginei: to ferrado!

E sentindo dor esperei uns 30 minutos para ser chamado – detalhe: era um atendimento de urgência – finalmente sou chamado. A atendente me diz que o plano de saúde precisa autorizar o Raio-X e a tomografia. Pensei com o meus botões: tô ferrado!! Sentindo dor, às 16 horas recebo a notícia que meu Raio-X está autorizado \o/ , mas a tomografia ainda estava em negociação. Paciência, vamos fazer essa chapa logo de uma vez. Sentado na sala de espera do raio-X, sentindo dor e com fome – não almocei devido a inapetência que a dor me causara – esperei longos 15 minutos. Fui chamado para as chapas, tira chapa cola um esparadrapo com os números, coloca a chapa pra dentro da câmara, fica de pé aqui, vira de costas, atenção:

– Pare de respirar!
– Respire normalmente.
– Espera aí que vou ver se ficou boa!

Sai da sala e volta com outra chapa:

– Agora mais outra.
– Enche o pulmão de ar.
– Pare de respirar!
– Respire normalmente.
– Agora deita aqui na mesa!

Ainda sentindo dor, lá vou eu deitar na mesa, a radiologista procura a ponta do osso da minha bacia para me posicionar corretamente, e tá que me aperta e eu sentindo dor. Em um breve momento, ela olhando a máquina, sem olhar para o paciente, procurando a região do ilio (a ponta da bacia) ela vai em direção ao púbis e acha o pênis. Analisemos! Calça de ginastica, tudo meio solto, acidente de trabalho e tudo mais, mas a radiologista me deu uma patolada! Tudo bem, ela fingiu que não tocou eu achei que não valia uma piada, também por estar sentindo dor. Segue o exame:

– Pare de respirar!
– Respire normalmente.
– Mais uma vez.
– Pare de respirar!
– Respire normalmente.
– Pronto senhor a imagem vai direto para o sistema e o médico acessa do consultório.

Bom, pelo menos isso! Agora vamos a tomografia. Volto ao guichê de atendimento e pergunto a respeito do meu exame, quando a atendente me dá 3 “boas” notícias.

Primeira ) – Senhor o seu pedido ainda está sob análise para autorização do plano de saúde.
Segunda ) – Só que infelizmente o nosso tomógrafo está desativado, mas não se preocupe, assim que for autorizado o senhor será conduzido de ambulância até o outro hospital para exame.
Terceira )  – Só tem um detalhe senhor. O resultado deste exame demora de duas a três horas para ficar pronto.

Francamente, se eu tivesse um Alien crescendo dentro de mim, numa altura dessas o oitavo passageiro já teria pulado da minha barriga gritando I’m Back!   Daí só chamando a Sigourney Weaver para dar jeito.

Paciência, fazendo as contas vi que meu dia no hospital não ia acabar tão cedo. Diante disto – sentindo dor e morrendo de fome – sentei e só o que me restou fazer foi assistir o fim do Vale a Pena Ver de Novo e  grande parte da sessão da tarde.

Era 17:30, quando recebo a notícia que o exame havia sido autorizado pelo plano de saúde. \o/ Vê se pode?! E lá vou eu par ao guichê assinar mais papelada. Foi quando a atendente me passa um formulário para preencher, leio o conteúdo e pergunto surpreso:

– Essa tomografia é com contraste?

e a atendente responde:

– Sim senhor!

Então pensei; “Ta de sacanagem!”. Eu já não havia comido nada e eles anda iam injetar um monte de porcaria no meu corpo para aumentar a clareza do exame. Paciência, 15 minutos depois chega a ambulância para me levar para outro hospital. Andar de ambulância é deprimente, o cheiro, a disposição do motorista as acomodações, nada presta ali. E lá vou eu chacoalhando na cadeira, sem ter onde se segurar e sentindo dor.

Sai da ambulância, a enfermeira acompanha até a ante sala do tomógrafo e me comunica:

– Senhor!! O senhor precisa tirar toda a roupa, ficar só de cuecas e calçado e vestir este avental.

Na cadeira do lado tinha uma mocinha com seus 20 e poucos anos para fazer seu exames e tendo que escutar aquilo. Entra na cabine, coloca o avental, o avental é curto e lá sai eu pelo corredor afora parecendo estar de mini saia. Logo sou direcionado pra uma sala, tenho que pulsionar a veia para o exame, a radiologista responsável pulsiona a veia, injeta alguma coisa e deixa uma seringa pendurada na pulsão. Enquanto isso volto desfilando corredor afora com as coxas de fora e no braço uma seringa pendurada. Até consigo imaginar cenas mais ridículas, mas aquela já estava de bom tamanho. Sento no banco para esperar, quando abre a porta da sala de exame, chamando o próximo paciente. Pensei, ” ufa pelo menos não demorou muito para eu ser chamado”, afinal eu era o único de avental. Foi quando a radiologista chamou a menina de 20 poucos anos, que não precisou colocar avental, entrou com a roupa que estava.

“Ta de sacanagem!!!” pensei, e lá fiquei eu mais uns 15 minutos esperando minha vez. Quando, por fim fui chamado, prontamente me coloquei deitado em posição para realização do exame. A radiologista tirou a seringa colocou a sonda para injeção do contraste e começou o exame.

– Você irá escutar uma voz pedindo para encher o peito e prender a respiração!
– Encha o peito e prenda a respiração.

Pensei, “tá bom, entrar num túnel e escutar uma voz? olha lá o que vão colocar nesse contraste! Se eu vir uma luz e alguém me der a mão com certeza é porque eu fiz o passamento!! ”

E tô eu lá num entra e sai danado naquela rosca gigante, quando a radiologista avisa que vai injetar o contraste.

– “Uai já não tinham injetado?” eu pensei

Injetaram e o meu corpo começou a esquentar de um jeito, que a impressão era que pulei de 36 pra febris 45 graus num instante. Aí veio aquele gosto de remédio na boca e a voz me dizendo:

– Encha o peito e prenda a respiração.

Foi coisa de 10 segundos, mas quando soltei a respiração parecia que e eu ia colocar pra fora o esôfago, o estomago e todo o intestino pela boca.
A radiologista me peguntou.

– Você tá bem?

Olhei pra cara dela e disse que estava com vontade de colocar o estomago pra fora, ela arregalou o olho, como quem diz: Não vai sujar tudo aí não heim! E eu tive que fazer um esforço sobre humano pra me segurar e não dar este desprazer àquela criatura.

Exame acabado, pego a ambulância de volta para o hospital de origem, chego no hospital e vou direto numa barraquinha que vende salgado, tinha que comer, estava só com o café da manhã até então. Matei um pastelão de frango com coca-cola e corri para pegar os exames que já estavam prontos. 19 horas, foi quando entreguei parte dos exames para o “power tiranossaurus ranger” médico que me atendeu. Mas sem a tomografia o diagnóstico era inconclusivo. Então, ainda com dor mas já sem fome, eu esperei.

20 horas foi quando um laudo preliminar chegou, então levei para o médico que rendeu o “ranger“. Ele olhou o laudo e me disse que ia me encaminhar para o cirurgião geral dar uma olhada, contudo me passou a receita que o médico anterior fez antes demorfar e ir para casa.

pensei: “Ta de sacanagem!! Vou pegar outra fila pro cirurgião agora?”

Eu não sei se já disse aqui, mas eu ainda estava com dor e voltei pra recepção, cliquei no touch screen tirei uma nova senha e me pus a esperar, fui chamado, assinei papel, voltei pra espera, uns 20 minutos depois o médico cirurgião geral me chamou. Dois minutos para eu explicar os sintomas + três minutos dele me examinando, olhou o laudo do exame, olhou a receita passada e falou que era aquilo mesmo. Uma inflamação na parede externa do intestino por alguma razão desconhecida.

Apendagite Epiplóica é o nome da desgraça. As vezes eu fico imaginando que sou um Compendium Médico de Doenças. É cada uma que me aparece e agora isso.

Pois é! De alguma forma àquilo torceu, dilatou e inflamou, literalmente dando um nó nas tripas.

Já era quase 21 horas quando eu finalmente consegui sair do hospital. E o resultado será, 4 dias vendo desfile de caixinhas de remédios como anti-inflamatórios, analgésicos e reguladores intestinais, durante o carnaval.

É isso ai!
fazer o que?
Paciência né!!!

PS:. comecei a escrever o texto, agora no finalzinho olhei o relógio e pensei “tá de sacanagem” 3:10 da manhã? Pô tô medicado mas ainda tô sentindo dor tinha que tá dormindo caceta!

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