Crítica Quântica – Batman o cavaleiro das trevas ressurge.

Desta vez tenho que dar o braço a torcer, este último filme do Batman foi sem dúvida o melhor dentre aqueles que já foram feitos. Bom, contando que não gostei de nenhum daqueles que foram feitos anteriormente, já é uma evolução. Não quer dizer, obviamente, que atendeu minhas expectativas de assíduo leitor dos quadrinhos do homem morcego, mas foi – sem dúvida – o roteiro que conseguiram encostar, por semelhança, no arquétipo do herói que acompanho a um bom tempo.

Adaptações, sejam elas de livros, quadrinhos , músicas – sim músicas, alguém ai já viu faroeste caboclo? – ou até de uma peça teatral – para as telonas – sempre sofre um pré-julgamento, porque é simplesmente impossível competir com a imaginação e a forma de envolvimento pessoal do indivíduo que leu um livro ou que se envolve com a dinâmica de uma estória em quadrinhos. A adaptação para o filme pode superar as expectativas, só agradar ou ser uma derrota completa.


É claro que em se tratando de quadrinhos é virtualmente impossível ler todos os títulos e acompanhá-los com regularidade, geralmente elegemos – no máximo – uma meia dúzia de títulos e acompanhamos os demais por meio de releases ou de séries curtas com arcos fechados. Só para ver como andam as características do herói. Nestes casos onde  – como a maioria do grande público – você aceita uma adaptação por não conhecer muito do personagem e acaba passando por cima e aceitando uma ou outra adaptação. Em outros casos, mesmo não conhecendo a fundo a estória você percebe que o motivo do filme é comercial e ainda sim foi mau feito. E ainda existem casos em que o filme consegue ficar melhor do que a versão em quadrinhos – na minha opinião Iron Man (Homem de ferro) é uma adaptação que supera e muito a versão dos quadrinhos, simplesmente porque Robert Downey Jr. conseguiu inserir uma bela pitada de humor e personalidade ao por vezes deprimido Tony Stark dos quadrinhos.

No meu caso, Batman, Spawn, Spiderman e Superman são os mais lidos e portanto sempre sou mais exigente com esses personagens.

Muito bem…  Batman: o cavaleiro das trevas ressurge – na minha opinião se encaixa na categoria “Agradou, mas com ressalvas”. Acredito ter sido uma boa adaptação e com surpresas agradáveis para a versão cinematográfica. O grande pulo do gato em uma adaptação para o cinema em que se queira explorar o mundo fantástico das estórias em quadrinhos e torná-las verossímeis a um paralelo com o mundo real é justamente eliminar os excessos fantásticos, manter as principais características sociais e psicológicas (valores, caráter e aplicação destas características) assim como não desviar muito de características principais. No caso do Batman, essencialmente um detetive com muitos recursos físicos de auto defesa e uma inteligência bem acima da média da maioria dos super-heróis e super-vilões.

Aviso àqueles que ainda não viram o filme, desta linha em diante parem de ler se não quiserem saber detalhes do filme. Enquanto isso uma boa dica de divertimento é o meu fancast do Batman acesse o link. 🙂

No começo é difícil de desvencilhar a maneira de se contar uma estória em um filme de 2 a 3 horas e da maneira de conta-la em uma revista em quadrinhos, com arcos de estórias que levam de 10 a 20 números – as vezes até mais. É preciso fazer um exercício de adaptação e pensar que assim como existem inúmeras estórias escritas por diversos autores que são contados nos quadrinhos é preciso aceitar que existe, também, uma forma de contá-la nas telonas.

Como vocês bem viram Batman o cavaleiro das trevas ressurge, retoma o arco iniciado no primeiro filme onde seu arqui-inimigo é Ra’s Al Ghul e a sociedade das sombras. Assistindo o filme que fecha o arco, tive a impressão que nenhum dos dois anteriores precisavam ser produzidos. Para um filme de quase 3 horas o primeiro dos três podia ter sido resumido em flashbacks (como os que apareceram no filme). O segundo filme foi completamente retirado de contexto, o link simplesmente foi forçado do segundo pro terceiro filme. O fato dele fugir por assumir a culpa resultando em 8 anos de ausência foi a bola fora do roteiro – na minha opinião. Em algumas cenas até vemos o Bruce Wayne na frente de um computador fazendo uma “investigação” mas até aí nada que uma “googleada” não resolva. Faltou o lado detetive do personagem. Outra coisa que não me acostumo muito é com o Batman de armadura, mas como no cinema ele é bem mais físico do que sutil, tem mesmo que vestir um uniforme tático para combate. Só o que me incomoda é o fato dele ter armas de fogo nos brinquedinhos dele, na revista o personagem é avesso a armas de fogo e não os tem nos brinquedos também. Pelo menos eles deixaram bem claro isso na luta em que ele e a Catwoman estão cercados e no momento da luta que ela toma a arma do bandido e vai atirar ele a impede.

A despeito disso tudo a trama do filme foi bem legal, a maneira que o Robin foi sendo revelado, que a filha de Ras Al Ghul, foi sendo revelada inclusive o Bane foi muito bem lapidado para as telas de cinema.

De uma maneira geral o filme é bem resolvido e bastante adaptado para a temática do cinema.

Coisas que gostei na adaptação:
1) A mulher gato ficou bem Verossímil – encaixaram bem a ladra somente a roupa me pareceu um pouco “over”;
2) Toda a estória da filha de Ras Al Ghul ficou bem com brecha inclusive para o nascimento de Damien o filho de Bruce Wayne e último Robin das revistas atuais;
3) O fato da nova origem do Robin, vindo de um orfanato entrando para a polícia e passando por investigador é bem mais racional do que um guri saltitante de circo. Só que nesta versão eles dão um pulo quântico no linha do tempo da DC e já o sugerem para o posto de novo Batman. Mas ta valendo é só um arco e já acabou. 🙂

Essas são coisas que cairam bem para o cinema e pode ser considerada mais uma maneira para contar as aventuras fantásticas do personagem.

O que faltou?!!
Investigação, investigação, investigação, recolher provas, cruzar informações, deduções, etc. O cara é um detetive pensa, cada um dos seus passos. Para quem está acostumado com a narrativa dos quadrinhos há até a descrição de porque ele esta socando o sujeito naquele determinado local, tudo é bem explicado e beeeem descritivo. Quase como se um Sherlock Holmes ninja estivesse estrelando um CSI – Gothan 🙂
Do jeito que ficou o Robin foi mais investigador que o próprio Bruce Wayne no filme.

Eu sei que o que vende ingresso são os “bat-brinquedos” e a pancadaria – que também estão nas revistas, mas ainda dá pra melhorar muito o personagem e até conseguir aprofundá-lo mesmo que para o cinema. Imaginem colocá-lo em uma liga da justiça, do que adiantaria a pancadaria onde a maioria dos seres superpoderosos tem infinita vantagem física sobre ele. O que sobressai em um Batman nessa situação é a inteligência e liderança. A não ser que ele construa uma armadura indestrutível, mas aí já pulamos para outro universo e nesses moldes ele se igualaria ao Ironman. E o arquétipo de características que definem o Batman é bem diferente do que define o Ironman.

é isso galera,
falei pra caramba, mas pra falar de Batman eu sou suspeito mesmo.
Até a próxima.

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