Arrow vs Agents of S.H.I.E.L.D

Bom… você que já está acostumado há algum tempo ver nas telonas as adaptações de HQs da Marvel darem um pau nas adaptações da DC, já deve ter percebido que o mesmo não acontece no mundo dos seriados de TV.

Como leitor de HQs acredito que a melhor forma de se migrar os complexos arcos de estórias dos quadrinhos é sem dúvida para as séries de TV. Se bem feitas  podem prover uma experiência similar a da leitura de páginas dos quadrinhos.


Historicamente as adaptações da DC Comics para TV sempre prevaleceram sobre as adaptações da Marvel.

Não precisa ir muito longe, basta recordarmos das reprises que vemos e que enchem a internet de memes. Aqui no Brasil se puxarmos pela memória de adaptações da Marvel teremos: Aquele homem-aranha pavoroso da década de 70 que soltava uma teia sinistra, que mais parecia uma peça de renda pra cobrir a mesa de jantar do que uma trama de teia. O inesquecível Hulk do início da década de 80 cujo todas os finais eram marcados por David Banner ( sim aquele era David e não Bruce Banner – os produtores achavam que Bruce não era um nome lá muito masculino)… bem… marcados por David Banner andando a margem de uma estrada qualquer, pedindo carona pra bem longe de onde estava… sempre acompanhado da inconfundível trilha sonora que entoava… tam…tam … … tam..tam… … tam….  isso mesmo, não se percam nos compassos. E por fim o mais recentemente e badalado Agents of S.H.I.E.L.D.

Da DC Comics… bem… da DC tem um Superman lá da década de 50 que o tio aqui não assistiu ao vivo mas já tive a curiosidade de garimpar… Tem o famosíssimo Batman da década de 60, que o tio aqui também não viu ao vivo pois nem pensava em ter nascido mas assitia as reprises na década de 80 que passava como se passa o Chaves há 30 anos. Era direto!! Na mesma época que  marcou o fim de toda a dignidade que havia no Batman, passava uma série da Mulher Maravilha, também vi muito. Pegando ainda somente as ondas que quebraram nas costas brasileiras, já na década de 90 – O Flash ( ou ” O The Flash” como alguns insistiam em chamar 🙂 ) que pra época arrebentava nos efeitos especiais. Na mesma época Lois & Clark – As Aventuras do Superman. Bom… desse você já deve começar a se lembrar né sobrinho? Aí chegam os anos 2000 e temos 10 anos… eu disse 10 anos… do cultuado Smallville. Conseguiu ficar a mesma quantidade de anos que Friends no ar!!! Como vocês já devem saber… Estória e roteiro Interessante, mas efeitos especiais no padrão Once Upon a Time – Canadense – Tão mal feito que juro que dava pra fazer usando o paint Brush e windows movie maker 1.0. Mas vingou, caso contrário não teria ficado tanto tempo no ar. Por fim, o não tão badalado e até aguardado com certa desconfiança Arrow.

Depois de todo esse prólogo chegamos as principais séries que fazem a adaptação de cada umas das grandes no mundo dos quadrinhos. Como já citei Marvels Agents of S.H.I.E.L.D. chega badalada no embalo da trama que a própria Marvel armou para seus filmes nos cinemas. Construíram uma antologia que percorrerá os filmes da produtora formando um arco de estórias que pulam de um filme a outro se completando. Ao menos essa é a ideia. No meio disso abre-se espaço para o segundo plano, ou será o terceiro plano? Agents of S.H.I.E.L.D. começou embalado pelo ritmos de Vingadores e aparentemente prometeu muito mais do que entregou. A primeira temporada da série teve seu ápice no meio da temporada com o episódio que aconteceu cronologicamente junto com o filme do Capitão América. Mas o tiro no pé – na minha opinião – é  simplesmente a trama. Por estar atrelada ao universo dos filmes da Marvel é como se fosse um barco perdido na tempestade, que é jogado pra todo lado dependendo do roteiro de cada filme. O arco principal – Como ressuscitaram o Agente Colson? –  mostrado nesta primeira temporada da série tinha tudo pra capturar a atenção dos fans, porém não foi bem construída, tão pouco conseguiu empolgar. BEM… a não ser que a quantidade de Ester Eggs dessa série seja tão profunda que o segredo relacionado ao agente Colson e a condição de 0-8-4 da Sky passe pelos filmes dos Guardiões da Galaxia e pelo THOR, justificando a presença de Lady Sif e todas aquelas dicas que ela passou pro Colson quando ele perguntou pra ela a respeito ( ** cuidado inicio do alerta de spoiler ** ) das raças alienígenas que ela já havia encontrado em suas batalhas, para relacionar com o alienígena que ele mesmo viu, no local em que foi ressuscitado ( ** Fim do alerta de spoiler ** ). Dessa forma a série fica um pouco excludente para quem não conhece profundamente o universo Marvel e acaba se aproximando da premissa de Lost, você acaba tendo que ver todos os filmes e ter que juntar pedaços de dicas. Trabalho, no mínimo cansativo pra quem não é tão ligado a quadrinhos.

Por outro lado, representando a DC Comics entra em sua segunda temporada a grande surpresa Arrow. Esta série estava dividindo a atenção com uma provável série do Aquaman que viria para suprir a demanda pelo gênero com o final da série Smallville. O personagem Arqueiro Verde foi inserido na série Smallville e parece ter caído no gosto dos espectadores. Cogitou-se no princípio que o ator que fez o arqueiro em Smallville e que já havia feito um piloto de Aquaman fosse fazer a nova série mas isso não vingou. O motivo parece ter ficado claro, pois a série do Arqueiro Verde não seguia a mesma pegada de Smallville – ainda bem!!! Arrow não tem uma necessidade tão grande de efeitos especiais, tem uma trama bem construída, existe o recursos de flashbacks que complementam ajudando a manter o interesse na série. Em cada episódio se levanta uma questão, se responde essa questão e se cria expectativa para o desdobramento daquilo. O arco é bem definido e é explorado com riqueza de detalhes. Da pra notar que os caras sentaram e pensaram pra escrever a trama. Impressionante ainda é a quantidade de personagens que eles conseguiram agregar a série amarrando a estória de Oliver Queen a antologia iniciada no cinema pelo filme Batman – cavaleiro das trevas. De repente tudo gira em torno de Ra’s Al Ghul e o que atualmente é a série do Arqueiro Verde poderia facilmente ser a série do Batman para a TV sem problemas – na minha visão. A inserção de personagens na trama de Arrows foi grande na primeira temporada e será bem recheada na segunda temporada também. Haja vista a participação de Barry Alen em dois episódios dessa temporada que vai fazer nascer uma série a parte. Flash vem aí com seus primeiros episódios já gravados e na mesma fornada nascerá Gotham contando a estória do jovem detetive James Gordon. Dessa forma Arrow vai integrando e justificando todos estes personagens sem que o espectador precise ter o conhecimento prévio dos mesmos, tudo é fechado dentro da série e explicado por lá. A única referencia pega extra-série é legado de Batman com Ra’s Al Ghul e a liga das sombras.

Resumindo o embate, comparando as temporadas – na minha opinião – Arrow dá uma sova muito da bem dada em  Agents of S.H.I.EL.D. Como a maioria dos fans de quadrinhos, mortais, tenho minhas preferências de personagens, artistas e roteiros e obviamente não tem como se ler tudo de tudo que é publicado, por mais que se viva disso. Para o meu gosto a leitura do material de DC é melhor do que o da Marvel e dentro da DC tenho preferência por Batman e Liga da Justiça por este motivo tenho mais empatia pelo que é apresentado em Arrow do que pelo material de Agents of S.H.I.EL.D, mas ainda sim acredito que os dois sejam uma boa forma de entretenimento para entusiastas dos quadrinhos.

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